domingo, outubro 02, 2005

Lá fora a guerra sem cessar, fogo morteiro ferida grave.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
Aguardo o vácuo em vácuo pouco ideal.
De ideias transformadas em impulsos, gota a gota.
Torneira que escorre em ideias. Desertos numa miragem canalização.

Lá fora a paz agressão contraste mágoa indolor.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
A produção extensiva em cadeados encadeados.
Voz letreiro virgem de nota timbre voz.
Palmilhado pé pela areia a fervilhar. Escorre a queimadura sem sangue.

Lá fora a imóvel confusão expectante, despachos risos brutos tristes.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
Um céu pintura na terra a olho.
Uma orientação no véu repulsa narcisismo extremismo.
Um Islão de alma húmida encharcada. Escorre um ego constipado.

Lá fora o vento. O mar, o fogo. A insignificância escondida.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
O ar respiração proeminente elementar insignificante.
Os lugares-comuns afogados ardentes.
Escorrem noções estéreis de imaginação. Sem-abrigos num sexo lençol cobertor.

Lá fora, tudo nada insignificante.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido insignificante.
Amainar insignificante, resfolegar insignificante,
animar insignificante, deprimir insignificante,
por fora insignificante por dentro. Escorre insignificante.

Lá fora por dentro por fora,
tintas órgãos tintas,
tendas corpos tendas,
vidas mortes vidas.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido fechado.